moonlight

“Sra. Enfermeira, abra-me a janela, por favor!” Eu já vos contei a história do meu avô. Ele foi comprar cigarros, deixando a minha avó sozinha, com duas crianças sem pai. Mas, apesar de ter sido abandonada, a minha avó sempre teve alguma coisa boa para contar sobre o marido. Numa noite, já tarde, durante o verão, eu ouvi parte duma conversa entre a minha mãe a minha avó. Elas estavam sentadas na varanda, olhando o céu.
”O teu pai estava muito nervoso no dia em que tu nasceste. Já o tinha desiludido uma vez. Antes da hora do jantar eu mal aguentava as dores. Teimosamente, eu tinha passado o dia a esfregar e a encerar o soalho. Nessa altura não tínhamos água corrente eu fui várias vezes à fonte da vila. Pedi-lhe para chamar o doutor. Tu nasceste em casa. Depois do teu primeiro choro, ele pegou em ti e correu lá para fora. Levantou-te com os seus braços fortes e cheio de orgulho, mostrou à lua como eras radiante. Nessa noite, tal como hoje, a lua estava envolta numa auréola laranja.”
Eu já estou velha e muito em breve vou morrer. Herdei uma doença cerebral degenerativa que me roubou metade da vida, mas sempre que possível eu tento espreitar a lua do meu avô.

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